Scarpa se diz surpreso com adesão de atletas e torcedores a clube do livro: "Nunca me senti tão famoso"
Gustavo Scarpa fala sobre hábito de leitura e movimento de torcedores sobre livros
A "Galeitura" é um sucesso nas redes sociais entre a torcida do Atlético-MG. A criação do clube do livro partiu das indicações do meio-campista Gustavo Scarpa, leitor voraz. Em participação no Redação SporTV, ele explicou a relação com a literatura, o apreço por obras clássicas e revelou que alguns companheiros de time também adotaram o hobbie.
Nas redes sociais, Scarpa costuma compartilhar resenhas de alguns livros clássicos. O mais viralizado e que caiu nas graças da torcida foi "A morte de Ivan Ilitch", do russo Liev Tolstói - livro que apareceu como mais vendido do Brasil no site da Amazon.
- Eu não esperava uma repercussão tão grande. Ainda mais um livro tão antigo. Literatura russa. Não sei se é o que a galera curte mais. Mas eu falei pro pessoal da minha assessoria: nunca me senti tão famoso - brincou Scarpa.
Gustavo Scarpa Atlético-MG
Pedro Souza
A relação com os livros nem sempre foi algo natural para o jogador. O hábito de leitura começou em 2018, quando ele defendia o Palmeiras e foi campeão brasileiro. No ano seguinte, o hobbie se tornou prioridade. Naquele mesmo ano, Scarpa anotou 13 gols e deu sete assistências no Verdão.
- Em 2018 minha tia me presenteou com uma biografia do Steve Jobs. Eu já tinha lido A Bíblia algumas vezes, mas era o único livro que eu lia sempre. Em 2019, no Palmeiras, chegou um rapaz formado em direito. E era da hora conversar com ele. As ideais fluíam. Surgiu a aposta: a cada gol ele me daria um livro. Cada duas assistências, um livro. A aposta não durou muito. Ele começou a ter prejuízo.
"Ele me presenteou com médico e o monstro. Aí, foi depois desse livro que eu tomei gosto pela leitura. Comecei a ler Dostoiévski, Kafka, Victor Hugo... a maioria foi por indicação dele. Aí fui me interessando por clássicos. Cá estamos"! (risos)
Apesar de se interessar pela literatura russa e livros que são mais densos, Scarpa revelou que outros estilos ainda são o conquistaram.
- Shakespeare é um tipo de leitura que eu ainda acho difícil. Pelo vocabulário, pela dinâmica do livro. Poesia... sei lá, acho difícil. Mas, realmente, comecei por umas leituras pesadas. Meu terceiro ou quarto livro foi Kafka, O Processo.
No vestiário do Atlético, o hobbie ganhou mais fãs. Scarpa contou que outros companheiros de time começaram a ler. Nos bastidores, eles costumam conversar sobre os livros lidos. Na arquibancada, a torcida do Galo criou a "Galeitura", clube do livro para reunir os amantes de leitura.
Livro vira mais vendido após Gustavo Scarpa, do Atlético, recomendar
- O Victor Hugo tá lendo, o meia. A gente troca indicações de livros. O Léo Duarte também é um menino que lê bastante. A gente já compartilhou algumas leituras. Já lemos alguns livros, não sei se tão 'filosóficos', mas livros marcantes. O Igor Gomes já tinha me indicado um livro um mês atrás.
Nas redes sociais, Scarpa passou a publicar resenhas em vídeo. Por fim, o jogador do Galo comentou que a leitura não deve servir como barreira. Ele explicou que por isso publica as opiniões e discorre sobre os livros de forma descontraída.
- Muitos livros são considerados tabus e tal. Acham que apenas acadêmicos vão conseguir ler. Eu, no meu jeito, na minha limitação, passo uma interpretação do pouco que eu entendo. A galera se sente representada. Acho legal. Eu fazia o resumo. Hoje eu tento discorrer um pouco mais do que eu entendo e tal.
'Vou continuar nessa mesmo, fazendo do meu jeito. Não tento encaixar em certo tipo de análise. Eu falo o que lembro da história. Acho que por ser autêntico, tem dado certo'
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